Há muito nós queríamos fazer uma
expedição com mais detalhes pela Patagônia. Anteriormente já havíamos feito uma
viagem entre El Calafate e Ushuaia. Mas ter um contato mais estreito com a
natureza do lugar nos deixou com aquela vontade de voltar. E aproveitamos nosso
recesso de natal e ano novo para realizar este desejo. Como sempre, nossa ida para os países da
América do Sul necessita uma parada em São Paulo. E, é claro, aproveitamos para
conhecer mais esta cidade gigante com tantos atrativos. E andar por São Paulo
em feriados é uma maravilha. A dica é deixar as malas no guarda volume do
aeroporto, que fica na área externa do desembarque. Tem dois. Um mais perto do
desembarque e outro um pouco mais adiante, saindo do desembarque, à direita. Se
paga 12 reais por um maleiro, que cabem duas malas pequenas e duas mochilas.
Para a cidade, se pega um ônibus,
logo no desembarque, que passa pela estação de Tatuapé (já falamos disto em
post anterior, mas não custa relembrar). Preferencialmente o via Ayrton Sena
que é mais rápido. No Tatuapé tem conexão com o metrô que cobre boa parte da
cidade. Elegemos o MASP (http://masp.art.br)
para nosso dia. O dia estava bem cinza, mas sem chuva. A Paulista, vazia de
carro e cheia de gente andando de bicicleta ou a pé. Descemos duas estações
antes do MASP e caminhamos pela Paulista, para ver as pessoas e o movimento.
Sentir esta avenida cantada em prosa e verso, um ícone da cidade de São Paulo,
faz a alma sentir-se revigorada e abre com chave de ouro a nossa viagem. Mas o melhor estava por vir, pois tivemos a
sorte de visitar duas exposições temporárias magníficas para os amantes das
artes. A primeira com a obra-prima Mulher
de azul lendo uma carta (1663-1665), de Vermeer. O quadro foi recém-restaurado,
e tem quatro salas especialmente preparadas para esta exposição. Detalhes do
quadro, das cores, do contexto da pintura, da restauração das molduras nos
possibilita uma leitura aprofundada da obra.
A segunda exposição, que nos deixou com a sensação que Papai Noel
realmente existe e nos dá presentes maravilhosos que só expressamos em nossos
pensamentos mais profundos: a exposição: Romantismo: a arte do Entusiasmo. Em
uma mesma exposição 63 artistas entre os
quais: El Greco, Gauguin, Van Gogh,
Renoir, Monet, Manet, Dali, Rodin e Matisse. Obras magníficas divididas em sessões que mostram a Natureza, o Corpo, as
Paixões, a Paisagem Urbana, o Imaginário, etc.
Claro que ver Van Gogh é uma sensação maravilhosa. É efetivamente
mergulhar no mundo deste artista singular e controverso. Podemos ver as camadas
generosas de tinta que ele colocava em suas telas. Além de outros artistas
magníficos. Foi um presente de natal, sem preço.
Monet
Nossa viagem faria uma escala em
Buenos Aires e optamos por passar o natal nesta cidade maravilhosa que virou
destino de brasileiros. Já falamos disto em outros post, mas é impressionante a
quantidade de brasileiros nesta cidade. Por todo lado que a gente vai, estão lá
os barulhentos e alegres brasileiros, como se estivessem em suas cidades. Andam
geralmente em bandos familiares ou em casais. Ficamos em dois hotéis
diferentes, pois não conseguimos vaga. Em ambos, o café da manha era em
português.
Fizemos um programa pouco usual
para turistas e pessoas em férias: fizemos nossa caminhada-corrida. E recomendo
a todos. No primeiro dia caminhamos pelo Bairro Puerto Madero, que fica na
antiga área portuária e que sofreu uma revitalização e ficou magnífico. Muita
área verde, locais para caminhadas. É uma forma diferente de ver a cidade e
conviver com seus nativos. Locais que usualmente os turistas não visitam, mas
que guardam belezas particulares. Momento de ver a arquitetura da cidade em
horário de pouco trânsito de pessoas e carros.
No segundo dia, pegamos a Avenida
9 de julio, que tem o obelisco. Descemos
por ela até a estação ferroviária e depois subimos pela casa rosada até nosso
hotel. A casa rosada sem um bando de turistas fotografando tem outra magia.
Claro que fizemos também os
passeios usuais que todo turista faz, um deles, que recebeu protestos de Barão,
mas que depois, acabou curtindo muito foi visitar o cemitério da Recoleta.
Este cemitério está localizado no
bairro da Recoleta, onde se chega de metrô + ônibus, de taxi ou de taxi + metrô
ou ainda, como a gente faz: pegamos o metrô na estação catedral e fomos até a
estação Pueyrredón e dali caminhamos pela avenida de mesmo nome da estação, até
o cemitério. Esta prática de caminhar pela cidade não está associada a
economizar dinheiro com taxi, mas sim a possibilidade de conhecer a cidade mais
de perto. O sol estava muito forte e o calor insuportável. A sorte é que as
avenidas são bem arborizadas e a caminhada foi feita quase toda na sombra.
Este cemitério foi fundado em
1822 como um cemitério católico, que depois passou a receber pessoas de diferentes
credos, partidos políticos, profissões, histórias de vida. É, por incrível que
pareça, um cemitério vivo que abriga mais de 5000 almas. Vivo porque é um local
de visitação turística e local de passeio de muitos portenhos.
A entrada do
local é magnífica, com pórticos imponentes, uma alameda sombreada com bancos de
praça convidam os visitantes a se sentarem e contemplarem o local, que tem um
ar de museu pelas esculturas, estátuas de anjo, bustos, capelas e monumentos. Alguns
mausoléus são tombados como monumentos do patrimônio nacional. Não deixem de
visitar o local e se forem, não visitem somente o mausoléu da Evita Perón.
Após a visita comemos, ali mesmo
na Recoleta, uma maravilhosa pizza de alfavaca. Um manjar dos deuses. Fim do
dia.





Um comentário:
Narlita,
amo seus post de viagens..fiquei me imaginando também caminhando pelas ruas de Buenos Aires..da última vez que estive lá peguei uma corrida na porta do hotel (em plena 9 de julho) que me impedia de ir e vir..mas enfim, Buenos Aires é sempre querido..aguardo ansiosa uma viagem junto com vcs..abrs e FELIZ passagem de ano..
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